O ex-deputado Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13) em Orlando, na Flórida, em uma operação coordenada pela Polícia Federal brasileira com agências americanas. A detenção se deu por questões migratórias: o passaporte de Ramagem estava vencido.
Ramagem havia fugido para os Estados Unidos em 2025 após ser condenado pelo STF por integrar o núcleo da trama golpista que visava manter Jair Bolsonaro no poder. Ele está agora sob custódia do ICE, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas americano.
A chave para localizar Ramagem foi um detalhe aparentemente banal: o carro utilizado para buscar sua esposa no aeroporto logo após a fuga. A identificação do veículo permitiu que agentes monitorassem seus deslocamentos e descobrissem que ele havia se hospedado, nas primeiras semanas, em um condomínio de luxo em Miami, antes de se mudar para uma casa ampla em Orlando.
A operação durou meses. Um oficial de ligação da PF em Miami coordenou o trabalho de inteligência com monitoramento terrestre e diversas reuniões com agências e polícias norte-americanas. Nas últimas duas semanas, policiais da Flórida intensificaram o apoio à equipe brasileira.
A prisão ocorreu quando Ramagem havia acabado de sair de casa. Policiais de trânsito o abordaram, solicitaram documentos e constataram que o passaporte estava vencido. Ele foi então encaminhado a um centro de detenção do ICE.
O que vem a seguir
O destino de Ramagem será decidido por um juiz de imigração de Jacksonville, na Flórida. O processo é lento: a defesa ainda precisa protocolar um pedido de liberdade para iniciar o trâmite. As autoridades brasileiras pretendem provar ao juiz que não há perseguição política — contrariando o pedido de asilo —, e que Ramagem tenta apenas escapar do cumprimento da pena.
Durante as investigações, descobriu-se que Ramagem comprou um carro nos EUA utilizando um passaporte cancelado pela Justiça brasileira. Houve tentativa de obter um mandado de prisão por esse crime específico, mas o pedido foi negado pela Justiça americana.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal, Ramagem integrava o núcleo da trama golpista que visava manter Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022. Antes da fuga, o ministro Alexandre de Moraes já havia determinado a inclusão do ex-deputado na lista da Interpol. A Câmara dos Deputados também cassou seu mandato e cancelou seu passaporte diplomático.
Para entender como Ramagem chegou ao radar das autoridades nos EUA, é preciso voltar à rota que ele usou para sair do Brasil: atravessou clandestinamente a fronteira com a Guiana por Roraima e embarcou para os Estados Unidos a partir de Georgetown, com apoio logístico de um empresário que a PF prendeu em Manaus.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou a prisão como resultado da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado e afirmou que as autoridades brasileiras aguardam os trâmites burocráticos para o retorno do foragido ao país.
